Análise pós jogo do Clássico Mineiro

Análise tática do jogo entre Atlético MG e Cruzeiro pela 5ª rodada do campeonato mineiro 2026

ANÁLISE TÁTICA

Laíny Gomes

1/26/20265 min read

O primeiro clássico mineiro do ano aconteceu nesse domingo (25) na Arena MRV. Pela 5ª rodada da fase de grupos do Campeonato Mineiro, Atlético-MG e Cruzeiro chegaram para a partida com cenários delicados. O Atlético, que vinha de 4 empates em 4 jogos, precisava da vitória para não se complicar de vez no seu grupo na busca da classificação para as semifinais, já que as equipes da URT e do Democrata abriram vantagem em relação a equipe atleticana. Já o Cruzeiro chegou para o clássico com 2 vitórias e 2 derrotas no campeonato e, diante do revés sofrido para a equipe do Democrata na última rodada, precisava da vitória no clássico para se tranquilizar, também já pensando na estreia no Campeonato Brasileiro no meio da semana.

O jogo inicia com a equipe cruzeirense tentando impor uma posse de bola, algo que é característico das equipes do técnico Tite que iniciou seu trabalho no início do ano e aos poucos vem implementando suas ideias na equipe celeste. No tradicional 4-2-3-1 que marcou a equipe no ano passado, o Cruzeiro utilizou a mesma base do time que fez uma excelente temporada em 2025, ao contrário da equipe atleticana que iniciou a partida com muitos dos novos reforços em campo e ainda buscando a sua melhor formação e identidade. A equipe de Jorge Sampaoli iniciou a partida num 4-3-3 com Maycon, Alan Franco e Victor Hugo fazendo a trinca de meio campo. Essa formação foi fundamental para o Atlético começar a realizar uma pressão muito bem sucedida na saída de bola do Cruzeiro a partir dos 15 minutos do primeiro tempo, onde o jogo passou a ser mais favorável à equipe alvinegra. A saída de bola cruzeirense buscava mais o lado direito da equipe com o lateral William que teve bastante dificuldade ao ser pressionado pelo lateral esquerdo atleticano Renan Lodi, e com isso, a construção no primeiro terço cruzeirense ficou tendenciosa a buscar bolas longas para os atacantes. Até que, na marca dos 26 minutos do primeiro tempo, numa jogada pelo lado esquerdo, o lateral Kaiki deu um belo passe para o artilheiro cruzeirense abrir o placar. Kaio Jorge fazendo o que tem de melhor: se posicionando muito bem nas costas do zagueiro e tendo frieza para concluir a gol. 1 a 0 para o Cruzeiro na casa do rival e o jogo fica a feição para a equipe celeste explorar as transições ofensivas rápidas, o que é a grande marca dessa equipe (ou era).

Ainda no primeiro tempo, o Atlético perdeu por lesão o lateral direito Preciado, que fazia sua estreia como titular, e também reclamou muito de um lance de pênalti em cima do atacante Bernard, que esteve atuando pelo lado direito na partida. O juiz mandou seguir e o jogo foi para o intervalo com vantagem simples para a equipe celeste.

Já no segundo tempo, o que vimos foi a estratégia do técnico Sampaoli para o jogo se sobressair. O Atlético teve mais intensidade, tanto para marcar o Cruzeiro, mantendo a estratégia de pressão na saída de bola, quanto para construir utilizando principalmente do lado esquerdo do campo com Renan Lodi saindo da lateral na segunda fase de construção e indo para o meio, com Victor Hugo se aproximando e com Dudu no x1. Com isso, o time alvinegro sobrecarregou o lado direito cruzeirense que se mostrou frágil com William e Fabrício Bruno tendo atuações individuais abaixo da crítica, e daí saiu o gol de empate do Atlético. Numa jogada individual de Dudu, o atacante cruzou rasteiro para a conclusão de Bernard, saindo o lado direito e pisando na área para concluir. Jogo empatado e o que vimos do Cruzeiro no segundo tempo foi um jogo de baixa intensidade e baixa competitividade. O técnico Tite mexeu na equipe colocando Gerson no lugar de Lucas Silva e com isso Christian foi deslocado para atuar como segundo volante e Gerson para atuar como meia direita. As alterações pouco fizeram efeito no time que ainda se manteve numa rotação abaixo e com pouca criatividade na construção ofensiva. O grande maestro cruzeirense Matheus Pereira teve atuação discreta diante da marcação intensa do Atlético que se posicionou defensivamente no segundo tempo num 4-1-4-1, onde o volante Maycon fez o homem entrelinhas tirando o espaço no qual o camisa 10 do Cruzeiro costuma explorar. Vale destacar também a atuação de Alan Franco que assumiu o posto de lateral direito após a saída de Preciado no primeiro tempo e foi bem seguro defensivamente, neutralizando o atacante Arroyo, que entrou na segunda etapa, e também dando um equilíbrio maior para a equipe atleticana, liberando a subida do outro lateral e tornando o lado esquerdo atleticano mais agressivo ofensivamente.

Na altura dos 68 minutos de jogo, o Atlético chegou ao gol da virada com o herói atleticano. Após (mais uma) saída de bola errada do Cruzeiro com o lateral William, Gustavo Scarpa, que entrou muito bem no segundo tempo, roubou a bola pelo lado direito e procurou Hulk centralizado. O atacante atleticano driblou o jovem zagueiro do Cruzeiro Jonathan Jesus e acertou um belo chute colocado no canto direito de Cássio. 2 a 1 com o principal protagonista do Atlético decidindo o jogo. O Cruzeiro ainda poderia ter empatado o jogo numa bela jogada pelo lado esquerdo com Matheus Pereira que cruzou para o miolo da pequena área e Arroyo mandou pra fora debaixo das traves do goleiro Everson. O Atlético também teve oportunidades de ampliar o placar mas parou no goleiro Cássio que fez grandes defesas e ainda acertou a trave com Igor Gomes mas ficou por isso mesmo. Vitória do Galo que melhorou muito sua situação no campeonato e segue na busca por uma vaga nas semifinais.

Em geral, considero que foi um resultado justo diante das atuações coletivas e individuais das equipes. Os encaixes de marcação pressão do Atlético funcionaram muito bem para tirar uma saída mais curta da equipe do Cruzeiro, gerando muitos erros dos construtores celestes, e ofensivamente o lado esquerdo atleticano foi eficiente especialmente no segundo tempo. Destaco a atuação de Victor Hugo no meio campo que mais uma vez entrou como titular e foi muito seguro e importante para o equilíbrio ofensivo e defensivo da equipe atleticana. Já o Cruzeiro mostrou pouco do que essa equipe já apresentou de bom. Não conseguiu encaixar as transições ofensivas e teve pouca criatividade com a bola no pé, além de ter mostrado pouca intensidade e competitividade, ingrediente essencial para um clássico. Como destaque individual coloco Kaio Jorge, que mais uma vez marcou contra o rival e quando teve a oportunidade foi eficiente mas pouco participou do segundo tempo devido a queda de rendimento do Cruzeiro.

Agora, as equipes fazem suas estreias no campeonato Brasileiro no meio de semana e voltam suas suas atenções para o campeonato Mineiro no fim de semana, buscando classificação para as semifinais da competição.

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A análise deste jogo foi feita sob a ótica da analista de desempenho e mercado Laíny Gomes.

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