Análise pós jogo do duelo entre Brasil x Noruega

Análise tática do jogo entre Brasil x Noruega. Válido pelas oitavas de final da Copa do mundo

ANÁLISE TÁTICA

Scout fora da caixa

7/7/20264 min read

Dá play no vídeo!!

O jogo começa com a Noruega pressionando a saída de bola do Brasil num bloco alto.

A pressão pela bola veio surtir efeito no terço médio, onde se originou a jogada de um gol anulado da Noruega por impedimento.
O jogo prosseguiu e o Brasil optou por uma marcação passiva defendendo em duas linhas de 4 e sem pressionar efetivamente o portador da bola.

Quando algum jogador da seleção brasileira saltava a linha e pressionava os jogadores da Noruega conseguiam retomar a posse de bola. E foi assim que surgiu a jogada que originou o pênalti a favor da seleção brasileira.

Rayan pressionou Nusa pelo lado direito ainda no meio campo acionou rapidamente Bruno Guimarães que lançou Gabriel Martinelli que cruzou a bola na área onde surgiu a infração do Ajer no Mateus Cunha.O juiz ainda precisou do var, para assinalar a penalidade posteriormente perdida por Bruno Guimarães.

O jogo seguiu com a Noruega determinando um ritmo bem lento na partida. O Brasil proporcionava espaços para os defensores e os volantes adversários conduzirem a bola até o meio campo sem nenhum tipo de pressão.

Se por ventura os noruegueses errassem, possibilitavam contra ataques perigosos para a seleção brasileira. O Brasil teve alguns escapes interessantes no 3 contra 3, no 2 contra 2 mas sem nenhuma efetividade na tomada de decisão.

Quando o Brasil tentava construir as jogadas com a defesa norueguesa organizada no 4-5-1, esbarrava na falta de criatividade e no trabalho defensivo dos nórdicos.

A tônica dessa seleção brasileira quase originou o primeiro gol da partida. O Brasil foi pressionar a saída de bola do adversário e a bola sobrou para Vinicius Junior driblar o defensor de chutar em cima do goleiro Nyland.

A Noruega também tinha muitas dificuldades em superar o bloco médio/baixo da seleção brasileira. Se o Brasil subisse as linhas, um defensor ou o próprio goleiro Nyland lançava a bola em direção ao Sorloth ou ao Haaland. O primeiro tentando uma casquinha de cabeça para os companheiros, o segundo para brigar com os zagueiros brasileiros na força e na velocidade.

E na disputa do Haaland com os zagueiros brasileiros quase surgiu o primeiro gol da Noruega numa chance desperdiçada pelo Odegaard ao final do primeiro tempo.

O segundo tempo inicia com mudanças na seleção da Noruega. Já que a seleção brasileira claramente abdicava de ter a posse de bola, os noruegueses optaram por acionar o Haaland através dos cruzamentos na área. As entradas de Schjelderup e Oscar Bobb, mudaram as características dos pontas que iniciaram a partida pela Noruega.

O panorama desenhado na primeira etapa pouco mudou na segunda. Os nórdicos ficavam com a bola e o Brasil só conseguia criar suas oportunidades a partir do erro do adversário. Assim surgiu a principal chance da seleção brasileira na segunda etapa logo após a entrada de Endrick. Após retomar a bola, Vinícius Júnior lançou o jovem atacante brasileiro que apesar de ser talentoso e promissor, ainda precisa evoluir em vários aspectos, inclusive na questão da ambidestria. O fato de hesitar em usar a perna direita para dominar ou até mesmo para driblar o goleiro, custou uma chance clara para a seleção.

A Noruega continuava trocando passes com muita liberdade. Se o Brasil subia as linhas, podia deixar Haaland e os seus companheiros em situação de igualdade numérica contra os defensores brasileiros. Se a seleção brasileira aguardava o erro adversário corria o risco de ver a bola passando sempre pela sua área tendo um dos atacantes mais letais do mundo ali como adversário.

Pelo lado direito do seu ataque a Noruega encontrava dificuldades em efetuar esses cruzamentos. O Douglas Santos, lateral esquerdo do Brasil, fez uma copa do mundo competente. Já pelo lado direito o Danilo não proporcionou essa mesma segurança e por ali que Schjelderup e seus companheiros começaram a encontrar brechas para cruzamentos perigosos.

Assim que surgiu o primeiro gol da Noruega. Ao colocar o Ederson no lugar do Bruno Guimarães para reforçar o lado direito, sequer deu tempo da seleção brasileira se ajustar em campo. Schjelderup passou facilmente por Endrick e cruzou na medida para Haaland que no movimento de engano, fugiu da marcação visual e tátil do Gabriel Magalhães e cabeceou com perfeição no canto esquerdo do goleiro Alisson.

Em desvantagem no placar restou a seleção brasileira partir para cima buscando o empate. Sem criatividade para construir jogadas sólidas, só restou os cruzamentos aleatórios na área. Mas diferente da fase anterior onde essa solução serviu contra a seleção japonesa, desta vez o Brasil enfrentava a seleção com maior média de altura da Copa do Mundo.

Subindo as linhas para atacar o adversário, proporcionava a Noruega acionar o Haaland com os lançamentos longos para brigar com os zagueiros. E foi assim que originou o segundo gol. Após a bola longa ele escorou para Schjelderup que devolveu para o camisa 9 norueguês dominar com calma e sem nenhuma pressão dos zagueiros brasileiros desferir um potente chute no canto esquerdo do goleiro Alisson.

Com a derrota praticamente sacramentada, a seleção brasileira continuou na sua “estratégia do abafa” cruzando bolas para a área da Noruega e ainda assim conseguiu encontrar um pênalti bobo de Aursnes em Casimiro. Neymar, camisa 10 da seleção brasileira, cobrou com categoria e ainda aproveitou para provocar e rir do goleiro Nyland. O goleiro riu de volta com a certeza de que sua equipe cumpriu o plano de jogo com maestria e era merecedora da vitória.

À seleção brasileira, cabe uma profunda reflexão a níveis institucionais, organizacionais e individuais.

Se a seleção brasileira quiser voltar ao topo é necessário entender que em todo canto do mundo há planejamento organização e execução, só o talento não será suficiente para vencer no futebol moderno.

O futebol brasileiro precisa se reencontrar.

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